
Veja abaixo a entrevista da aluna do
sétimo período
Luíse Bello e saiba como é a experiência de participar do
Expocom.
Nome: Luíse do Santos
BelloIdade: 22 anos
Período: 7º
Dupla: Gisele RipardoCategoria: Comunicação Integrada. Alcançando a segunda colocação na etapa regional.
Como você ficou sabendo do Intercom?
Através da queridíssima professora Patrícia Saldanha, que segurou a nossa mão da inscrição até São Paulo.
O que te motivou a participar do congresso?
Primeiramente o fato de termos um trabalho forte, que já havia vencido a concorrência em sala promovida pela profª Patrícia, com um cliente externo. Isso me deixou muito segura de inscrever o trabalho, com esperança de realmente conseguir alguma coisa. Fora isso, eu queria viver essa experiência de que tanto já tinha ouvido falar; de ir para o Intercom, apresentar trabalho, pessoas de outros lugares...festa legais. Mas inegavelmente, o apoio da Patrícia e o incentivo foram o motorzinho que transformaram essas vontades em uma realidade, com inscrição feita, passagem na mão, quarto de hotel, metrô de São Paulo...
Quais foram as principais dificuldades para se inscrever e participar do congresso?
Não senti dificuldade, o processo foi muito claro. Como todas da turma estavam no mesmo pique, trocávamos notícias e informações sobre datas e tudo mais. Mas confesso que quem enviou o trabalho foi a minha dupla ( Gisele Ripardo) e eu lembro de que houve algum problema na hora do envio. Mas a equipe do Intercom foi super prestativa e resolveu tudo!
Qual a importância para um aluno de graduação participar do congresso?
É essencial. Eu sinto que na graduação da UFF temos uma resistência muito forte por parte dos alunos, ao mundo acadêmico, o que é um erro. Acredito que isso não aconteça só na nossa faculdade e curso, mas essa é a experiência que tenho, não posso falar pelos outros. Enfim, com essa fome de entrar no mercado, as pessoas deixam de exercitar sua capacidade de realizar trabalhos interessantes e exibí-los, apenas porque isso, à primeira vista, não vai ajudar ninguém a conseguir um estágio em uma grande agência. Mas a experiência de estar no Intercom é indescritível. Participei só de uma regional e estou falando assim, imagina como é no nacional? Pessoas de todo lugar do país trocando experiências, exibindo seus projetos, mostrando seu valor. Aprendi muito e passei a respeitar esse mundo, e a ter muita vontade de viver em congressos para o resto da vida. Em suma, um aluno de graduação num congresso é, nas palavras de Fábio Jr. "Como se fosse uma gota d'água descobrindo que é o mar azul".
Muitas pessoas dizem que o Expocom é relevante apenas se o aluno tiver interesse em seguir carreira acadêmica. Como você vê essa informação?
Isso é uma tremenda bobagem. Primeiro porque o Expocom é para quem está na graduação e, nesse momento, quer você queira ou não, você está na academia. A diferença é que seus trabalhos são vistos apenas por seus colegas e professores. Quando você participa de um Expocom ou Intercom, alunos e mestres de todo o Brasil conhecerão o seu trabalho e você terá reconhecimento por ele. Afinal, existe uma seleção prévia e, se você está ali, já significa que alguém viu algo de bom no que você inscreveu. Sair da faculdade com essa experiência, essa bagagem, com certeza faz diferença.
Como você acha que o mercado enxerga a participação em um congresso acadêmico?
Infelizmente, com menos valor do que deveria. Em publicidade não se pode dizer que o mercado realmente se importe com quantos artigos você já emplacou no Intercom. Afinal, uma indicação, um portfólio legal ou um pouco de experiência na área, na maioria dos casos, falam mais alto. Porém, falta conteúdo a muitos profissionais que são jogados na roda viva do mundo publicitário. Nesse ponto, o mercado inicialmente pode absorver muita gente que nunca se envolveu com congressos, mas quem pensa na publicidade de maneira macro, quem já escreveu artigos, teses e projetos com embasamento teórico e argumentação fundada em conceitos de grandes pensadores, tem muito mais capacidade de ter uma carreira forte e consolidada do que aqueles que se deixam levar de agência em agência, job em job, sem enxergar a carreira em toda a sua longevidade e os seu oficio de maneira crítica. No mundo atual, carreira de jogador de futebol, modelo e publicitário estão fadadas a terminar cedo. Aos 40 anos você está velho e engessado, permanecer na crista da onda requererá um esforço descomunal, enquanto jovens com mentes frescas e criados com iPads ( um dia isso vai ficar velho também) estarão muito à sua frente. Por isso, é importante consolidar seu conhecimento e não ser mais um pião na agência, mas um comunicador com conteúdo e visão.
Como você enxerga o apoio dado pela universidade aos alunos participantes do congresso?
Ele existe. Sim, ele existe! Está lá, mas ainda é pequeno. Muito pequeno perto do verdadeiro apoio que os alunos poderiam receber. A parte prática é relativamente simples e, nesse ponto, somos assessorados. No nosso caso a UFF disponibilizou uma van para os alunos e a maioria fez uso dela para chegar a São Paulo. Mas só isso não basta. Os demais professores praticamente não se envolveram com esse processo de participar do Intercom ou não, para muitos dos mestres e alunos, não quer dizer nada. Você chega na faculdade, depois de viver essa aventura e só recebe um "nossa que legal". Aposto que muitos professores nem ficaram sabendo de nada, nem que fomos, nem que temas falamos. Não dá para o curso de publicidade da UFF ter nome além de sua fama de mídia, máfia de mídia, etc, se não mostrar que consegue mais que isso para outros faculdades, mestres e graduados. Ninguém conhece nem a nossa faculdade direito! Os alunos até se esforçam, mas são poucos e fica difícil "carregar tudo" sozinhos, com turmas diferentes a cada ano. Todo nosso mérito no Intercom se deve unicamente à professora Patrícia Saldanha. Outros professores falam, mas escrever mesmo, só ela escreveu.
Como se deu o apoio dos professores à participação no congresso?
Que eu me lembre, de publicidade, só a a Patrícia realmente nos apoiou, inclusive com sua presença. O professor de fotografia Rômulo também estava lá acompanhando um só aluno, e acabou nos dando a maior força, viu algumas apresentações, fotografou, foi muito bacana.
No congresso, os alunos além de exporem seus trabalhos, tem a oportunidade de trocar experiências com estudantes de diversas universidades do país. O que você achou dessa experiência?
Isso é bem legal! Conversei com pouca gente, mas todo mundo é legal e o clima é ótimo. Não cheguei a trocar contato com outros estudantes e nem fui a festas por lá, só com o povo da UFF mesmo. Ver os trabalhos dos outros é super interessante! Dá uma sensação de "não estamos sós!". E você vê que tem gente boa, tem gente ruim, tem gente que intimida e tem gente que dá dó de ver. Isso é bom para você sentir como VOCÊ está em relação aos outros e ao que tem por aí. Um lado ótimo é interagir com as pessoas da própria UFF. Pudemos conhecer e nos aproximar de pessoas que só conhecíamos superficialmente. Valeu a pena.
Qual é o nível dos trabalhos apresentados? Você acredita que os estudantes da UFF estão preparados para participar do congresso?
Os alunos da UFF estão preparadíssimos, mas não tem interesse em nada que não tenha a palavra agência no meio, o que é uma pena. A participação dos alunos da UFF em concursos que valem um estágio é uma boa maneira de ver para onde eles dedicam sua atenção. O esforço de participar tem que ser compensado com uma vaga em agência. De resto, nada feito. Infelizmente muitos trabalhos incríveis morrerão no CR de alunos que não terão ajudado em nada a fortalecer o nome da universidade.
Como foi a experiência de apresentar o trabalho para a banca. Qual era o diferencial do seu trabalho perante os demais? Você se sentiu preparada para aquela situação?
Como eu já disse, nosso trabalho era forte, tínhamos muita confiança nele. Mas até chegar a momentos antes da apresentação, eu estava pilhada com a viagem, hotel, São Paulo, encontrar o lugar, pegar o crachá, enfim, a maratona de coisas que possibilitariam a minha chegada ao Intercom. Mas depois que tudo estava resolvido, foi chegando a hora de encarar a banca e a barriga foi gelando. O apoio dos amigos nessa hora foi essencial. Ver aquele rostinhos conhecidos em meio a tantos outros intimidantes, me ajudou a permanecer tranquila e confiante para apresentar. Eu e Gisele treinamos um pouco e nossa preocupação foi o tempo, porque nós falamos demais, mas conseguimos fazer uma boa apresentação e ainda sobraram alguns minutos...
No geral, na sua opinião, o que agregou para você ter participado do projeto?
Muita coisa! Hoje sei que existe um mundo muito legal onde as pessoas são valorizadas por seus trabalhos acadêmicos, muito além da nota final que ele recebe. Como aluna, aprendi que os projetos da faculdade devem ser levados a sério e sempre olhados com "maldade": será que devo inscrevê-lo no Intercom? Como profissional, me estimulou a continuar estudando e a tentar agregar novas idéias à publicidade, contribuir de alguma forma para o pensamento crítico do mercado. Já penso em apresentar a minha monografia por lá ano que vem...